quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Para que a escola não atrase o século 21

By admin - 03.10.12
Grupo internacional pesquisa alternativas para adaptar educação às novas dinâmicas da vida. Entre exemplos, experiência sueca em que alunos desenvolvem, com ajuda de tutores, planos de estudo adequados a suas paixões e afinidades
 
Não importa muito como ela seja chamada: educação 3.0, educação para o século 21, educação para a vida. Mas a verdade é que muitos educadores já perceberam que os sistemas educacionais precisarão se adaptar se quiserem formar alunos capazes de lidar com a quantidade de informação hoje acessível, hábeis em administrar problemas cada vez mais complexos e prontos para serem atuantes em um mercado que exige habilidades que não ensinadas nos livros. Cientes desse descompasso entre o que a escola oferece e o que o mundo exige, um grupo de especialistas decidiu formar o Gelp (Global Education Leaders’ Program) para discutir problemas reais de sistemas educacionais espalhados pelo mundo e suas possíveis soluções.

“Não há uma resposta única nem um só modelo a ser seguido”, diz David Albury, diretor de design e desenvolvimento do Gelp. O britânico, que foi conselheiro do primeiro-ministro para assuntos estratégicos entre 2002 e 2005, vem conversando com alunos e educadores e conhecendo modelos em todo o mundo. Diante do que tem visto, Albury encontra três tendências importantes para a educação do século 21: personalização, aprendizado baseado em projetos e avaliação por performance.

A personalização, explica ele, não quer dizer necessariamente a adoção de plataformas educacionais on-line, mas a configuração do aprendizado para necessidades de cada aluno. “A tecnologia é parte essencial nesse processo, mas não é o processo”, afirma ele. Como exemplo de escola que desenvolve um ensino personalizado, Albury cita a escola sueca Kunskapsskolan, em que os alunos desenvolvem, com a ajuda de tutores, seus planos individuais de estudo adequado às suas paixões e afinidades, com metas claras, que podem ser acompanhadas ao longo do ano.

O aprendizado baseado em projetos, afirma Albury, tem sido uma escolha que escolas ou grupos de escolas têm feito para desenvolver habilidades nos alunos de maneira menos “compartimentalizada”. Nessa abordagem, os alunos precisam desenvolver um projeto e, durante o processo, aprendem conceitos das mais diversas disciplinas, trabalham em equipe, tomam decisão. Apesar de ser uma tendência, diz o britânico, ele não conhece nenhum sistema público de ensino que use o formato em todas as suas escolas. “Não precisa ser adotado em sistemas inteiros. Isso pode acontecer de forma piloto”, afirma. “Não podemos esperar que os sistemas já comecem perfeitos. Leva tempo para acertar, as pessoas cometem erros.”

Já sobre as avaliações por performance, afirma ele, surgem na tentativa de medir e reconhecer habilidades que os testes de múltipla escolha não conseguem. “Como é que eu avalio se um aluno é criativo? Ou se ele é bom em resolver problemas da vida real?”, pergunta Albury. Essa questão, que tem afligido líderes educacionais de todo o mundo, não está respondida, mas há algumas tentativas, diz o inglês, de usar colegas, família e comunidade na construção de novas formas de avaliar.

Outra realidade que tem se tornado cada vez mais clara é que processos educativos muito ricos têm ocorrido fora da escola. Albury conta que esteve em uma reunião com alunos canadenses de 13 anos. Um deles lhe disse: “Quando eu venho para a escola, eu sinto que eu estou sendo desempoderado. Fora da escola, eu tenho acesso a várias fontes de informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um computador”. Um colega dele concluiu: “A escola é o lugar que atrasa o século 21”.

Trazer a educação que ocorre fora da escola para dentro é um desafio a mais para os professores, que precisam remoldar a forma como lidam com o ofício. “É também uma questão de identidade dos professores.” Para tanto, a participação das universidades é fundamental. Nesse quesito, diz o especialista, a demografia do Brasil é mais favorável do que a de países europeus, onde há poucos professores se formando e muitos estão em atividade há muitos anos. “Mais difícil do que aprender é desaprender”, afirma Albury.

Equipe brasileira
Formado há quatro anos, o Gelp começou com quatro membros: Ontário (Canadá), Nova York (EUA), Vitória (Austrália) e Inglaterra. No ano passado, o Brasil passou a fazer parte do Gelp, que hoje já tem 13 membros, entre cidades, estados e países. Entre os representantes brasileiros estão a Secretaria Municipal do Rio e as estaduais de São Paulo, Goiás e Pernambuco. Os participantes se encontram duas vezes por ano e, virtualmente, compõem uma rede com atividades ao longo do ano. Em novembro, o Rio de Janeiro será anfitrião do segundo encontro de 2012.
http://ponto.outraspalavras.net/2012/10/02/escola/
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pré-sal - Dilma defende que recursos sejam usados para aumentar os investimentos em educação

Brasília  - A presidente da República, Dilma Rousseff, defendeu hoje (1º) a destinação dos recursos com a exploração do petróleo e gás da camada pré-sal para a educação. Segundo a presidente, apesar dos investimentos feitos ao longo dos últimos anos, somente com a aplicação dos ganhos do setor de petróleo e gás será possível aumentar o direcionamento de recursos para essa área.

“Eu acredito que uma das grandes questões que nós temos que discutir, logo após as eleições, é para onde vamos destinar os recursos do petróleo e do gás, tanto no que se refere a royalties, como ao Fundo Social [do Pré-Sal] aprovado em relação à partilha. Nisso, a importância da educação tem que ficar clara”, ressaltou ao discursar durante evento promovido pela revista Carta Capital.

Para a presidente, é necessário fazer “vultuosos” investimentos em educação para garantir o desenvolvimento do país a médio e longo prazo. “Nós, em uma visão de médio prazo, e mesmo de longo prazo, temos de assumir o compromisso de ampliar o gasto de educação como percentual do PIB [Produto Interno Bruto]”. O Plano Nacional de Educação (PNE) que foi aprovado em uma comissão especial, mas ainda deverá ser votado no plenário da Câmara dos Deputados, prevê que em dez anos o Brasil destine 10% do PIB para a educação.

Dilma destacou ainda a importância da melhoria do ensino como forma de garantir a sustentabilidade da nova classe média, surgida nos últimos anos. “É um elemento fundamental tanto para que a gente garanta que a nossa classe média seja consistente, não volte atrás, não enfrente um processo de perda de renda, como que nós tenhamos condições de ter massa crítica para inovar e investir em tecnologia e inovação”.
  
Agência Brasil

Fonte: Jornal NH 

Comentário do Blog

Palavras da presidente: " é necessário fazer “vultuosos” investimentos em educação para garantir o desenvolvimento do país a médio e longo prazo. “Nós, em uma visão de médio prazo, e mesmo de longo prazo, temos de assumir o compromisso de ampliar o gasto de educação como percentual do PIB [Produto Interno Bruto]”. 

Muito bem Presidenta! 
Esperamos que as boas intenções não fiquem apenas no discurso.
10% do PIB para a educação já!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Professores da rede estadual são dispensados

O Governo do Estado, através da 27ª Coordenadoria Regional de Educação, está dispensando professores contratados da rede estadual de ensino de Canoas, agravando a situação do ensino no município. Segundo a diretora do 20º Núcleo do CPERS Sindicato - Canoas, Cleusa Werner, o sindicato está recebendo denúncias de direções de escolas do município em virtude da dispensa dos professores da rede estadual. De acordo com Cleusa, a alegação é de que está esgotada a fonte de custeio do governo nesse âmbito. "Há, inclusive, a informação de que as vagas para professores do Estado estariam zeradas. Isso é preocupante, pois a realidade das escolas mostra a necessidade da contratação de mais professores”, fala Cleusa. A diretora do 20º Núcleo do CPERS Sindicato – Canoas afirma, ainda, que mais de 30 professores foram dispensados em Canoas, sendo que tinham recebido nomeação recente e haviam trabalhado cerca de um mês.
 
Cleusa Werner pondera que devido à necessidade de profissionais do ensino que se apresenta nas escolas, muitos professores acabam fazendo negociações com a direção para poderem atuar antes mesmo da conclusão do processo de contratação, no intuito de melhorar a situação do ensino, auxiliando os estudantes. "Há muitos alunos que estão sendo prejudicados pela dispensa dos profissionais da educação”, reitera. Cleusa diz que muitos colégios da rede estadual estão sem professores em disciplinas como história, matemática e geografia. "As direções estão procurando a Coordenadoria para reclamar sobre a situação. No entanto, recebem a resposta de que devem se virar como puderem, trazendo profissionais de outros setores ou incorrendo nas "enturmações”, quando muitas turmas se juntam pela falta de professores”, completa Cleusa.
 
De acordo com informações do CPERS Sindicato, os profissionais dispensados sequer receberão os vencimentos relativos aos meses trabalhados. E os seus postos de trabalho não serão ocupados por profissionais concursados.
 
As contratações emergenciais foram feitas por falta de profissionais nas escolas da rede estadual no município. O CPERS Sindicato pondera, ainda, que desligamento dos professores três meses antes do final do ano letivo é algo que causa prejuízos aos alunos. "Será o retorno da velha "enturmação”? Nada diferente do que ocorreu no governo passado. Em Porto Alegre, já existem denúncias de que as "enturmações” estão sendo retomadas”, completa.
 
A diretora do 20º Núcleo do CPERS Sindicato – Canoas enfatiza que há a espera de uma resolução para esse caso, de forma a beneficiar os estudantes e melhorar a situações das escolas. "Estamos abertos ao diálogo para com o governo. Mas, caso o problema não seja solucionado, há a possibilidade de tomada de ações jurídicas em relação a isso”, expõe Cleusa. 
O Timoneiro.

Fonte: Blog 20º Núcleo CPERS/Sindicato

Comentário 

Não faremos comentários. Apenas vamos destacar parte do texto: 
 "As direções estão procurando a Coordenadoria para reclamar sobre a situação. No entanto, recebem a resposta de que devem se virar como puderem, ..."

  Precisa comentar? Ah! uma frase final: A Educação é prioridade!

domingo, 30 de setembro de 2012

CPERS/Sindicato promove ato político nacional em defesa do piso e de repúdio à Adin de Tarso

O CPERS/Sindicato promove Ato Político Nacional em defesa do Piso Salarial dos Educadores e em repúdio à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin 4848) movida pelo governador Tarso Genro e outros cinco governadores.

A atividade acontece no dia 1º de outubro, às 18 horas, no teatro da AMRIGS (Avenida Ipiranga, 5311), em Porto Alegre. Entidades e personalidades ligadas à educação serão convidadas para o ato político.


A ADIN 4848 configura um profundo desrespeito à Lei 11.738/08, que implantou o Piso Salarial e cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2011.

O governo do Rio Grande do Sul, além de não respeitar a lei e a determinação do STF, busca uma nova medida para protelar o cumprimento de uma importante conquista dos educadores brasileiros.

Trata-se de uma gravíssima afronta à dignidade do povo brasileiro, que espera dos governos o respeito ao direito de se ter educação de qualidade e à valorização dos trabalhadores em educação.


Diante deste novo ataque do governo do Rio Grande do Sul aos educadores de todo o País, torna-se necessária uma resposta urgente de todos que defendem o respeito à lei do piso.

Além de Tarso, a Adin é assinada pelos governadores Marconi Perillo (PSDB/GO), José de Anchieta Jr. (PSDB/RR), André Puccinelli (PMDB/MS), Raimundo Colombo (PSD/SC) e Wilson Martins (PSB/PI).

Fonte: Portal CPERS/Sindicato

O que você sabe sobre os conceitos básicos da Sociologia?

Em 1971, por imposição do governo militar que governava o Brasil de 1964 a 1985, os alunos de ensino médio perderam o direito de aprender sobre sociologia na escola. Trinta e sete anos depois, através de uma lei sancionada pelo vice-presidente da República José Alencar - na época no exercício da presidência -, Marx, Weber e Durkheim encontram seu caminho de volta ao currículo escolar, com o retorno da obrigatoriedade da disciplina.

"O professor de sociologia do ensino médio tem como tarefa tentar desenvolver um aluno com conhecimento voltado para a cidadania", explica Emerson Ricardo Girardi, professor de Sociologia do colégio FAAB, em São Paulo. De acordo com ele, a disciplina tenta fornecer conhecimento ao estudante para que ele realize intervenções na sociedade, no intuito de formar cidadãos mais críticos.

Girardi afirma que, desde o retorno da obrigatoriedade da matéria, a sociologia tem enfrentado uma dupla realidade: de um lado, a aceitação, e de outro, a resistência. "A resistência parte mais das estruturas escolares do que dos alunos", diz. Para ele, o pouco espaço reservado nas grades de horários para a sociologia é um exemplo de como a disciplina foi introduzida por causa da obrigatoriedade, mas não "introduzida de fato".

"Existe um medo por parte das escolas de que o professor vá fazer uma doutrinação marxista nos alunos, o mesmo medo que levou a ditadura a proibir a disciplina", lamenta Emerson. Ele garante que o ensino ideológico não é da matéria em si, mas depende do professor que a ministra.

O currículo da disciplina pode variar de acordo com o professor: alguns focam no ensino dos teóricos clássicos, outros em realizar debates sobre questões da atualidade. Na opinião de Girardi, um meio termo entre os dois seria a melhor solução. "Os alunos gostam muito de debater o que está acontecendo no mundo, mas é preciso tentar relacionar com a teoria para não ficar uma aula de 'achismos'", reflete. O professor conta que a disciplina desperta o interesse de vários alunos nas Ciências Sociais e que alguns deles passam a contemplar uma carreira na área ou em áreas relacionadas.

Fonte: Portal Terra

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Professores contratados pelo Estado chegam a ficar seis meses sem receber salários


Contratados emergencialmente para suprir a falta de professores na rede estadual, diversos profissionais da educação estão sem receber salário após meses dando aulas. Na manhã desta quinta-feira, ao menos 23 professores que lecionam em Canoas, na Região Metropolitana, foram demitidos sem perspectiva de receber pelos meses trabalhados.
Este é o caso do professor de Geografia e Sociologia Décio Machado, que ministrou aulas na Escola de Ensino Médio André Puente, em Canoas. Segundo o professor, a Secretaria de Educação afirmou que o governo errou nos cálculos e não tem verbas para pagar os contratados.

Já o caso da professora Daniela Prates é mais grave. Contratada emergencialmente em abril, segue dando aulas de Química na Escola Estadual Gilcério Alves, na zona Sul da Capital, mas não recebe salários há seis meses. Sobrevivendo com o dinheiro de aulas particulares, conta que chegou a passar um mês com R$ 200. 

Com as demissões dessa manhã, centenas de alunos ficaram sem aulas na cidade de Canoas. Segundo a diretora da Escola Estadual Gomes Jardim, Kátia Borba, cerca de cem alunos estão sem aulas no turno da noite devido à demissão de uma professora.  

Segundo o Cpers-Sindicato, o problema acontece em diversas cidades do Estado. Procurada para dar explicações sobre o assunto, a Secretaria de Educação disse que vai se manifestar durante a tarde.

Fonte: Blog 20º Núcleo CPERS/Sindicato


Comentário

"Segundo o professor, a Secretaria de Educação afirmou que o governo errou nos cálculos e não tem verbas para pagar os contratados"

Ironicamente, parece que a Secretaria de Educação não terá uma boa nota na nova avaliação criada por ela mesma...

E  a professora contratada desde abril e que ainda não recebeu salários... E dizem  que a educação é prioridade! Você acredita?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E o salário do professor continua baixinho, baixinho


                                                                                     * Mário Marcos de Souza

 Há algum tempo lembrei aqui, ao escrever um texto sobre educação, a entrevista em que um reitor da PUC fazia a previsão de que em poucos anos alguns cursos de licenciatura seriam fechados por falta de alunos. Sem previsão de ter bons salários depois da formatura, os estudantes estavam buscando carreiras mais sólidas, que garantissem mais apoio e melhores salários.

Pois bem, no início da tarde desta segunda-feira, ouvi a notícia de que a Unilasalle tem planos de fechar alguns cursos de licenciatura já no próximo ano.


A justificativa do vice-reitor para a decisão da universidade confirma a previsão sombria feita há mais de 10 anos por seu colega da PUC: de 2002 a 2012, em um curso período, o número de alunos que procuram os cursos de licenciatura caíram 75%.


Neste ritmo, algumas carreiras (Geografia, entre elas) não terão professores nem candidatos a ensinar as matérias.


Sem garantia de bons salários e até de cumprimento ao menos do modesto piso salarial da categoria, os melhores estudantes partem para outras opções, deixando a vocação de lado.


Enquanto governantes e sociedade não se convencerem de que o ponto de partida da educação está na valorização dos mestres, seguiremos ladeira abaixo.


* Mário Marcos de Souza é jornalista


Fonte: Top Educação