sábado, 7 de setembro de 2013

Professor quer ser cobrado pela greve

EM GREVE: QUERO SER MAIS COBRADO!
Bernardo Caprara
Sociólogo, Professor e Jornalista

Estou em greve para ser mais cobrado. Essa sentença pode soar estranha. É isso mesmo. Logo você irá entendê-la. O fato é que o magistério estadual está sem trabalhar, de acordo com o direito exposto no artigo 9º da Constituição Federal. Poucos gostam de fazer greve. Corre-se o risco de ficar sem receber. As aulas serão recuperadas, talvez nos sábados, talvez no verão. Mas a greve permanece um importante instrumento de pressão política. Goste-se ou não.

O economista Amartya Sen é reconhecido pelo Nobel que recebeu. Em uma das suas instigantes obras, ele argumenta que a expansão das liberdades é o principal fim e o principal meio para o desenvolvimento. A ausência de educação e saúde de qualidade para todos restringe a expansão das liberdades. Nesse sentido, observei na minha dissertação de mestrado, entre outras coisas, que o efeito estatístico da escola no desempenho estudantil carrega um significado decisivo – resultado consoante com a literatura da sociologia da educação contemporânea.

Se já salientei a relevância da educação e do sistema escolar, do ponto de vista das ciências humanas e sociais, sob a ótica da política institucional tal relevância parece não sair do discurso. Há muito tempo. É inacreditável que o atual governo gaúcho, responsável pela criação de um vencimento básico mínimo para os professores, agora rejeite por completo a aplicação da sua cria. Cintila inacreditável a situação física da grande maioria das escolas, na medida em que, a cada eleição, a educação pública surge como um mantra na boca dos candidatos e na estratégia dos marqueteiros. Triste cenário.

Reuni-me com alguns dos meus estudantes, no intuito de escutar as suas demandas. Elas são múltiplas. Desde questões pontuais até elementos estruturais, passando por críticas, sim, ao modus operandi dos docentes. Dizem eles que os educadores faltam muito, são despreparados, não têm paciência, demonstram claros problemas pedagógicos e assim por diante. Relatam, ainda, que os colégios são desorganizados, não oferecem a possibilidade de protagonismo aos discentes, destilam autoritarismo e não os deixam bater as suas asas e voar rumo ao conhecimento. Reclamam da modificação do ensino médio, que retirou uma série de períodos de matemática, geografia, história e outras disciplinas. Sentem-se inferiorizados frente à rede privada em qualquer concurso que possam disputar. Eu assino embaixo e sublinho que tudo isso faz parte do ensino público cotidiano.

Na última avaliação publicada pelo PISA (Programme for International Student Assessment), o Brasil ficou em 57º num ranking de qualidade educacional composto por 65 países. Um péssimo resultado para uma das maiores economias do planeta. Com Pós-Doutorado na Université de Montreal e na Pennsylvania State Unversity, Bernardete Gatti coordenou um estudo da UNESCO em que demonstrou ser fundamental a valorização dos professores. Sem melhores remunerações, os melhores profissionais não se interessam ou logo abandonam a carreira. E a corda estoura por todos os lados.

Abri esta pequena reflexão propondo que estou em greve para ser mais cobrado. Desafio os governos a oferecer condições adequadas para que eu e meus colegas possamos exercer o nosso apaixonante ofício. Sem que, transcorridos alguns anos, estejamos todos doentes e desestimulados. Sem que alguém tenha pena de nós por atuarmos na educação básica. Que nos cobrem, então, muita qualidade e excelentes performances. Até que cheguem estes lindos dias, continuarei ensinando (e aprendendo) da melhor maneira que consigo. Dotado da máxima dedicação que me cabe. Não aceitarei, contudo, cobranças densas e profundas daqueles que mentem para o povo e não fazem da educação uma legítima prioridade.

Fonte: Blog Juremir Machado da Silva (Correio do Povo)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Informe do Comando Geral de Greve

OF. CIRC. Nº 055/2013         Porto Alegre, 6 de setembro de 2013.

Aos(às) Companheiros(as) do Comando Regional de Greve:

Como é do conhecimento de todos(as), hoje, pela manhã, o Comando Geral de Greve realizou mais uma audiência com os representantes do Governo.

Apesar de, mais uma vez, durante horas, o Comando Geral de Greve ter apresentado várias propostas, os secretários mantiveram postura intransigente em relação ao atendimento das reivindicações da categoria  

Avaliação mais detalhada feita pelo Comando Geral de Greve seguirá no próximo Boletim da Greve.

Diante destas respostas, o Comando Geral de Greve deliberou o que segue:

- Não aceitar o fechamento das negociações;

- Exigir que o Governo Tarso reabra o processo de negociação;

- Desencadear, em todo o Estado, a campanha: “Fora Jose Clovis”;

- Fortalecer as ações da greve, incluindo pressionar, diretamente, o próprio Governador;

- Participar das atividades de protesto que ocorrerão por ocasião do 7 de Setembro, dando visibilidade para a greve.

- Na segunda-feira e terça-feira = retomar o debate da necessidade de manter o movimento para pressionar por abertura de negociação.

Nova reunião do Comando Geral de Greve acontecerá no dia 9 de setembro, segunda-feira.


Atenciosamente,
Comando Geral de Greve do CPERS/Sindicato.


Fonte: CPERS/Sindicato

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Corte de ponto: assessoria jurídica do CPERS ingressa com Mandado de Segurança

Na tarde desta quinta-feira 5, a assessoria jurídica do CPERS/Sindicato protocolou um Mandado de Segurança com pedido liminar, no Tribunal de Justiça. Trata-se de uma ação preventiva para combater as ameaças feitas à categoria pelo governo do Estado.

O governador Tarso Genro e o secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo, ao invés de negociarem com o Comando de Greve, apresentando propostas concretas para resolver o impasse criado pela greve, ameaçam os trabalhadores com o corte de ponto e o desconto de salários.


Para demonstrar que não serão ameaças que intimidarão o movimento, o Comando de Greve tomou a decisão política de encaminhar a ação, assim como aconteceu no Rio de Janeiro, em que o SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação ganhou ação semelhante.
 

João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato

Fonte: CPERS/Sindicato

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Nova audiência na sexta feira


Governo e CPERS/Sindicato acertam nova reunião para sexta-feira

 

A mobilização para obtenção de  avanços continua...

 

Governo do Estado e CPERS/Sindicato voltarão a reunir-se na próxima sexta-feira (6), às 9h, em local a ser definido. Nesta quarta-feira (4), o Governo do Estado encaminhou à entidade sindical documento  contendo resposta à pauta de reivindicação da categoria, que foi tema de quase cinco horas de negociação. Na sexta-feira, os representantes do comando de greve do Sindicato apresentarão ao governo a avaliação do documento.   

 

Participaram da reunião com o CPERS/Sindicato, representando o Governo do Rio Grande do Sul, além do secretário Azevedo, que coordenou os trabalhos, a secretária-adjunta da Educação Maria Eulalia Nascimento, o chefe de gabinete da Casa Civil, Flávio Helmann, o secretário-adjunto da Fazenda, André Paiva, a secretária de Políticas para as Mulheres, Ariane Leitão, o representante da Secretaria de Administração e Recursos Humanos, Heitor Lermen e o chefe de gabinete da presidência do Ipers César Bento. 


Fonte: Portal SEDUC (com modificações e adaptações)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tem dinheiro para o piso


Em entrevista, presidente do Cpers diz que há dinheiro para o piso

A direção estadual do Cpers/Sindicato avalia como positiva a primeira semana de greve da categoria, deflagrada na sexta-feira passada, 23. Em entrevista hoje pela manhã, 30, na RPI a presidente da entidade, Rejane de Oliveira, disse que além da adesão dos professores estaduais a atual paralisação conta com apoio da comunidade e dos movimentos sociais, neste período em que ocorrem protestos de rua em todo o país.

 

Rejane de Oliveira não deixou de tecer criticas ao governo estadual, especialmente às colocações feitas também em entrevista na Progresso pelo secretário estadual de educação, José Clóvis de Azevedo. A presidente do Cpers discordou da manifestação de Azevedo que afirmou falta de dinheiro para pagar o piso nacional do magistério no plano de carreira.

Rejane de Oliveira disse que o Estado concede R$ 10 bilhões de isenção para grandes empresas do Rio Grande do Sul, em termos de impostos, aumenta em 120 por cento os salários dos cargos de confiança, paga sete mil reais de auxilio moradia para Juízes e alega não ter recursos para o piso nacional.


Além disso, segundo Rejane, está na Assembleia Legislativa projeto para aumentar o número de CCs no Ministério Público e no Tribunal de Justiça, além do auxilio creche, moradia e refeição para Promotores que ganham salário de R$ 26 mil. Em detrimento, ela enfatizou que o Estado reclama para pagar um pouco a mais para professores com piso de até R$ 488.


Fonte: Blog 14º Núcleo CPERS/Sindicato (com modificações)

 

domingo, 1 de setembro de 2013

Que educação politécnica é esta?


por Rui Paulo Sartoretto

Isso que aí está com nome de educação politécnica é engodo, é fraude

 

Em primeiro lugar: não se faz educação politécnica com escolas de um turno só. Seja no mundo liberal-capitalista, seja no mundo socialista, onde a educação politécnica foi implantada pelo Estado, as escolas e institutos ditos politécnicos são de tempo integral.

Não se faz educação politécnica com escolas sem oficinas, sem bibliotecas atualizadas, diversificadas e informatizadas, com laboratórios sucateados. Não se faz educação politécnica com prédios escolares construídos para uma escola de produção em série, com salas sem climatização, com forros caindo na cabeça dos alunos, com janelas que não fecham, com ventiladores que mais parecem helicópteros decolando.

Não se faz educação politécnica enfiando-a goela abaixo ou armando consultas faz de conta depois que tudo já estava decidido, apenas para deixar a ilusão de que os alunos e os pais foram ouvidos.

Acima de tudo, não se faz educação politécnica com professores desmotivados, insatisfeitos, aviltados, ameaçados e - com toda a razão - revoltados. Com professores a quem se oferece um salário inicial que no primeiro mundo, com crise e tudo, corresponderia ao seguro-desemprego ou que em alguns países os mendigos de rua recebem para não morrerem de fome.

Não se faz educação politécnica com professoras e professores obrigados a trabalhar em duas e, por vezes, em até em três escolas, levando para casa pilhas de trabalhos e de provas para corrigir nas horas que sobram depois do fogão, do tanque, da vassoura e do ferro de passar. E sobram?


O senhor secretário de Educação e o próprio senhor governador - ao que sei - são de formação socialista. Pois então, eles deviam ter aprendido que as mudanças não acontecem só porque as imaginamos, que as mudanças não se realizam porque foram escritas no papel ou porque figuram nos relatórios ou porque palavras bonitas enchem a boca de algumas matronas pedagógicas. Numa linguagem que eles conhecem, as mudanças não começam na superestrutura. Uma literatura, que o senhor secretário deve ter lido, preconiza que as mudanças, para acontecerem, necessitam de condições objetivas, concretas. Simples e antigo: a semente não germina em terra seca.

A educação politécnica de que eu tenho notícias supõe escola de tempo integral. Supõe escolas com laboratórios bem equipados, nas diferentes áreas do conhecimento, escolas com bibliotecas atualizadas, bem organizadas, geridas e atendidas por profissionais da área e não por atendentes improvisados. A educação politécnica exige escolas e salas de aula com outra arquitetura.

A verdadeira educação politécnica não se faz sem oficinas e ambientes de trabalho dentro da própria escola. O trabalho, como princípio educativo, fundamento da escola politécnica, não se realiza na empresa privada capitalista. Os objetivos da empresa privada são outros. Sua lógica é outra. Os objetivos da educação politécnica não casam com os objetivos da empresa capitalista. O trabalho, na perspectiva da educação politécnica, busca desenvolver valores e formas de organização diferentes e, por vezes, opostos aos da empresa privada.
 


Mais que procurar o mundo do trabalho que fica fora da escola, com alunos borboleteando de empresa em empresa, a verdadeira educação politécnica preconiza que a própria escola se transforme numa comunidade laborativa onde o jovem vai aprender não os procedimentos específicos de uma determinada profissão, mas os fundamentos do trabalho que são o planejamento, a organização, a utilização racional dos recursos disponíveis, o respeito pelo meio ambiente, a cooperação, o uso da tecnologia, a inovação e a permanente avaliação crítica do que foi feito. E isso se pode fazer, por exemplo, com a limpeza da escola, com a conservação dos móveis e do prédio escolar, com a organização da biblioteca, com a horta escolar, com o serviço de merenda, com uma oficina de carpintaria. Os burocratas de plantão me dirão que essa escola não é possível, que uma escola assim é muito cara. Mas em que país do mundo uma educação de qualidade não é cara? A Finlândia que o diga, a Coreia do Sul que o diga. E depois, podem até achar que uma escola assim não é possível, mas não chamem de educação politécnica o que nem para arremedo serve.

A educação politécnica que eu conheço não visa preparar o aluno para o mercado do trabalho. Ela usa o trabalho como princípio educativo, como instrumento de formação para a vida, como fonte de conhecimento e como matéria-prima de crítica social das próprias relações de trabalho. A educação politécnica que eu conheço visa a preparação do cidadão, visa a formação humana em todas as suas dimensões - física, mental, intelectual, afetiva, estética, política e prática, combinando estudo e trabalho.


A educação politécnica que eu conheço não substitui conteúdos fundamentais por seminários faz de conta. A não ser que se queira reforçar uma dicotomia que já existe na educação brasileira desde D. João VI (aquele que fugiu de Napoleão): uma escola para os do andar de cima (paga) e uma escola para os do andar debaixo, e sendo para os do andar debaixo, qualquer escola serve. Pode até ser uma educação politécnica de segunda categoria, mais barata, faz de conta, pela metade, que, afinal, para os do andar debaixo o que importa é saberem ler, escrever e contar. Que mais querem os do andar debaixo? Pretensiosos!

Isso que aí está com nome de educação politécnica é engodo, é fraude. Os próprios alunos, pelo menos os mais antenados, já estão se dando conta disso, de que estão sendo enganados, expropriados, fraudados. Se esse modelo de educação politécnica fosse realmente a sétima maravilha que apregoam, se fosse realmente uma escola de qualidade, esses mesmos burocratas que a conceberam e que a querem impingir a qualquer custo deveriam ser os primeiros a colocar seus filhos na escola pública. Mas, em geral, não é o que acontece: "a escola politécnica é para os filhos dos outros, os meus vão para a escola privada". Vai falar em capacitação profissional, em preparação para o trabalho em escolas privadas para ver o que acontece. Isto é para os do andar debaixo.

A exemplo de outras três reformas de ensino que, nos meus 44 anos de sala de aula, já sofri como professor, esse arremedo, esse simulacro de educação politécnica que estão nos impondo de forma autoritária, sem a mínima discussão, sem nenhum debate, sem ouvir realmente aqueles a quem mais o tema interessa, está fadado ao fracasso. Por uma razão muito simples: esse ensino, a que equivocadamente chamam de politécnico, descaracterizado, deturpado, apequenado, distorcido, equivocado, empobrecido, nem vai preparar o aluno da escola pública para o mundo do trabalho nem vai lhe dar condições para se apropriar dos conhecimentos de que necessita para aspirar uma vaga numa boa universidade pública, num curso socialmente prestigiado.
 


A impressão que se colhe é a de que a única preocupação dessa reforma do ensino médio é melhorar as estatísticas, baixar os índices de evasão e repetência e preparar mão de obra barata para o voraz e selvagem mundo do mercado. E não pensem que estou aqui defendendo a escola tradicional, da saliva, da prova e do conteúdo pelo conteúdo. Os meus alunos sabem disso.

Não consigo entender como o senhor secretário de Educação, a quem eu conheci lá pelos idos de 80 como referência de pensamento socialista, esteja traindo seu passado e se comprometendo com uma proposta de educação politécnica tão reducionista, tão deturpada, tão equivocada, tão subserviente. A pedido de quem? Atendendo a que interesses? Pobre juventude! 



por Rui Paulo Sartoretto - Professor, 44 anos de sala de aula (sartorettoadvocacia@hotmail.com)


Fonte: profemarli.comunidades.net

À LUTA

CPERS

Fonte: CPERS/Sindicato