domingo, 10 de março de 2013

Tarso deve mais de R$ 20 mil para cada professor em início de carreira

Para contrapor aos argumentos do governo sobre o impacto que a Lei do Piso representaria nas contas públicas do RS, a líder da bancada do PMDB, deputada Maria Helena Sartori, tem em mãos um estudo que mostra a situação sob o ângulo do contracheque do professor. Pelo levantamento, cada professor em início de carreira deixou de receber até agora um total de R$ 20.011,85. O valor corresponde ao que deixou de ser pago levando-se em conta a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmando a vigência da lei a partir de abril de 2011.


Esta diferença considera inclusive a parcela completiva implementada para os mais de 30 mil professores que recebiam abaixo do Piso, atualmente fixado em R$ 1.567,00. É uma diferença significativa e que tem reflexos óbvios na situação financeira de parcela da categoria que já recebe o menor salário, salientou Maria Helena.


Como o valor se refere apenas ao salário do professor na base da pirâmide (Classe A - Nível 5 do Plano de Carreira - 40 horas), a deputada reforça a preocupação com o passivo que vem sendo gerado diante do descumprimento da Lei do Piso por parte do governador Tarso Genro (PT). Alguns especialistas em finanças públicas já projetam em R$ 10 bilhões a conta a ser paga pelos próximos governos.

Fonte: Rádio Fandango
 
OPINIÃO DO BLOG


Pois,  se o Governo Tarso deve esse montante a professores(as) em início de carreira, imaginem quanto deve nos demais casos...

A gestão estadual alega não ter dinheiro.

Mas,  como afirmou o ministro  Joaquim Barboza do STF no momento do julgamento do embargo, quando  outro ministro afirmou que os governadores diziam não ter erário:

“- Para outras coisas eles tem” disparou  laconicamente o  Presidente do Supremo.

Com certeza, Sr. Presidente!

sábado, 9 de março de 2013

Professores estaduais decidem parar por três dias em abril

Os professores da rede pública estadual decidiram, em assembleia realizada ontem no Auditório Araújo Vianna, na Capital, que irão aderir à paralisação nacional, programada para abril. O movimento está marcado para os dias 23 a 25 e reivindicará, como prioridade, o cumprimento da Lei do Piso.

— A categoria demonstrou total sintonia com a direção, aprovando todas as propostas. Agora entraremos em um processo de luta que terá atividades estaduais, regionais e nacionais — disse a presidente do Cpers/Sindicato, Rejane de Oliveira.

Após a assembleia, o grupo fez uma caminhada do Araújo Vianna até a frente do Palácio Piratini, na Praça da Matriz, para marcar o Dia da Mulher. Entre as reivindicações levadas até a sede do governo estadual estavam o abono de faltas para os dias de exames preventivos ao câncer de mama e o aumento da licença-maternidade de quatro para seis meses. Os dirigentes entregaram um documento a representantes da Casa Civil e da Secretaria de Educação.

—  Para nós esta luta também é muito importante, já que somos uma categoria de 90% de mulheres — observou Rejane.

No dia 24 de abril, representantes dos professores irão a Brasília para participar de um ato nacional pelos direitos da categoria. Segundo Rejane, eles pediram uma audiência _ para o mesmo dia _ com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para que o governo seja pressionado a cumprir a lei do piso salarial.

Fonte: Zero Hora ( com modificações)

quarta-feira, 6 de março de 2013

CPERS aponta problemas da rede estadual de ensino através de pesquisa científica

Levantamento indica falta de professores em 40,9% e de PPCI em 54,1% das escolas

Levantamento divulgado na manhã desta terça-feira, 5, em entrevista coletiva na sede central do sindicato, em Porto Alegre, o CPERS/Sindicato apurou as condições do ensino no Estado. A pesquisa revela que 54,1% das instituições estaduais não têm plano de prevenção contra incêndio (PPCI).

A pesquisa ainda apurou a falta de funcionários e docentes e as condições de infraestrutura das escolas. Segundo o estudo, há déficit de professores em 40,9% das instituições do Estado. Além disso, em mais de 13% delas existem turmas com excesso de alunos.


A pesquisa foi feita entre os dias 26 e 28 de fevereiro com integrantes das direções de escolas.

Os resultados da pesquisa mostram aquilo que já vinha sendo denunciado pelo sindicato, que metade das escolas sofre com a falta de professores e de funcionários, que o Estado tem mais de 20 mil contratados, profissionais que contribuem para a educação, mas que não têm os seus direitos assegurados.

O CPERS/Sindicato também denunciou a aprovação automática estabelecida pelo governo Tarso, colocando na mesma sala de aula alunos aprovados com alunos reprovados.

Veja mais dados da pesquisa:

- A falta de funcionários se dá 45,1% das escolas, sendo que destas, em 51,9% faltam dois ou mais funcionários.


- O excesso de alunos em salas de aula está presente em 13,5% das escolas. Em 60,4% destas escolas, duas ou mais turmas têm excesso de alunos.


- Em 66,48% das instituições de ensino algum setor ou serviço não funciona. Isso se dá por falta de recursos humanos ou por problemas de infraestrutura.


- Em 28,17% das escolas as bibliotecas não funcionam e em 27,04% são os laboratórios de informática que estão fora de operação.

João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato

terça-feira, 5 de março de 2013

PT e PSOL abandonam comissão de direitos humanos em protesto à indicação de pastor evangélico

Ivan Richard, Agência Brasil - 07/03/2013 - 11h11
Dep. Domingos Dutra (PT-MA)
Brasília – O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Domingos Dutra (PT-MA), renunciou ao cargo em protesto à indicação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), acusado de homofobia e racismo, para a presidência do colegiado. Todos os deputados do PT e do PSOL também se retiraram da comissão. Dutra se retirou da reunião, antes da eleição do novo presidente do colegiado. A eleição será conduzida pelo membro mais idoso da comissão, o deputado evangélico Costa Ferreira (PSC-MA).

A reunião teve início a portas fechadas. O acesso a manifestantes não foi permitido. Em meio a debates acalorados entre deputados evangélicos e os defensores dos direitos dos homossexuais e negros, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) se emocionou. Ele se opôs à decisão do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de convocar a sessão a portas fechadas para eleição da presidência do colegiado.

"Nem a ditadura ousou bloquear o acesso do povo esta Casa. Essa comissão não é de evangélicos ou de católicos, mas do povo", disse Dutra que renunciou à presidência da comissão.

O deputado Pastor Eurico (PSB-PE) criticou a postura de Dutra. "Isso é uma comissão de direitos humanos ou de direitos de uns e de outros? Não existe crime antes de ser julgado", pontuou. "Estão praticando o preconceito aos evangélicos. Poderíamos convocar os evangélicos para fazer baderna nessa Casa. Mas nós, evangélicos, não somos de fazer baderna."

O deputado Takayama (PSC-PR) disse que os evangélicos não são contra os homossexuais. “Amamos os homossexuais. Amamos o pecador, mas não as práticas do pecado", disse Takayama.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) criticou a decisão de impedir o acesso de manifestantes à reunião. "Os espectadores não devem estar entendendo esse episódio que nos remonta a um período triste da nossa história. A questão aqui é política. Não é legal, nem regimental."
Edição: Lílian Beraldo
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Professores da rede pública do Rio anunciam paralisação
Paulo Virgilio, Agência Brasil - 05/03/2013 - 22h23
Rio de Janeiro - Os professores do estado e do município do Rio de Janeiro anunciaram hoje (5) que vão fazer uma paralisação no próximo dia 21, data em que a categoria vai dar início ao estado de greve.

Esta tarde, eles participaram no centro do Rio de uma marcha em defesa da educação pública. A manifestação saiu da Candelária e seguiu até a Cinelândia, prejudicando o trânsito de veículos na Avenida Rio Branco.

De acordo com a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, Marta Moraes, o reajuste salarial e o plano de carreira unificado para professores e funcionários são as principais reivindicações da categoria.
Edição: Aécio Amado
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-05/professores-da-rede-publica-do-rio-anunciam-paralisacao



Governo venezuelano anuncia a morte de Hugo Chávez
Vice Nicolás Maduro confirmou "dor imensa" para o país na tarde desta terça-feira
05/03/2013 20:23

Crédito: AFP
O socialismo latino-americano perdeu um de seus grandes ícones nesta terça-feira, com a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aos 58 anos. Ele foi internado em Cuba em dezembro passado e transferido para o Hospital Militar de Caracas em fevereiro, depois que passou pela quarta cirurgia no combate a um misterioso câncer na região pélvica, contra o qual lutava desde junho de 2011. A confirmação do óbito foi feita pelo vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que destacou a "dor imensa do país". De acordo com ele, o "comandante" teve o óbito registrado às 16h25min (17h55min no horário de Brasília).

No poder desde fevereiro de 1999, Chávez havia sido reeleito mais uma vez no ano passado, dessa vez em uma disputa acirrada com a oposição. Ele cumpriria mandato até 2019, quando completaria duas décadas no poder, em um período no qual se firmou como contraponto às políticas norte-americanas na América.

A doença de Chávez era motivo de muita especulação e discórdia. Na Venezuela, a oposição questionava as informações divulgadas pelo governo sobre a saúde do presidente. As primeiras imagens de Chávez após a cirurgia de dezembro só foram divulgadas em 15 de fevereiro, com o presidente cercado por duas de suas filhas no hospital em Havana. No dia 18, ele voltou a usar o Twitter para anunciar que havia retornado à Venezuela.

A primeira informação sobre as condições de Chávez para governar veio no último dia 23, quando o vice-presidente Nicolás Maduro relatou uma reunião realizada dentro do hospital entre o presidente e sua equipe econômica na noite anterior. Segundo Maduro, Chávez se comunicava por escrito. No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff afirmou, após conversa com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, que o quadro de saúde do colega não era muito preocupante, apesar da piora no quadro respiratório.

A nova trajetória de luta contra a doença começou no primeiro semestre de 2012, quando Chávez anunciou novo tratamento em Cuba para um misterioso câncer, cuja primeira intervenção havia sido comunicada em 2011. A natureza da "grave doença" divulgada pela imprensa oficial nunca foi revelada, mas o político retornou a Caracas em tempo de fazer campanha para conquistar mais uma vitória.

Em maio, Chávez foi mais uma vez a Havana para fazer sessões de radioterapia. O tratamento foi declarado um sucesso, mas em dezembro o presidente anunciou o "retorno do câncer". Chávez retornou a Havana para retirada de tumor. O vice-presidente, Nicolas Maduro, anunciou que o procedimento foi um sucesso, mas que recuperação seria mais longa e difícil. O político venezuelano sofreu complicações, com uma infecção respiratória e, posteriormente,
foi anunciada falha na função renal.

Tenente-coronel do Exército da Venezuela, Hugo Chávez tentou chegar ao poder pela primeira vez através de um golpe de estado, em 1992. A tentativa de derrubar o presidente Carlos Andrés Perez foi frustrada, no entanto. Ao assumir o governo de forma democrática, em 1999, Chávez logo colocou em marcha a sua chamada “revolução bolivariana”. Ficou marcado pela estatização de grandes indústrias e da máquina petrolífera da Venezuela. Em meio à crise econômica, o país se viu com escassez de alimentos e o presidente também avançou sobre supermercados, ameaçando encampar comércios que não vendessem os alimentos com os preços tabelados, entre outras ações.

Ao morrer, Chávez concentrava um grande poder em suas mãos. Era presidente, comandante-em-chefe das Forças Armadas e presidente do PSUV. Além disso, seus partidários controlam a maioria parlamentar e ostentam uma maioria no Supremo Tribunal de Justiça. Para além das fronteiras, o presidente venezuelano é o componente mais radical e irreverente de um grupo de governos de esquerda latino-americanos que chegaram ao poder nos últimos anos. Selou uma aliança estratégica com Cuba, com quem aprofundou a integração econômica e política, e chegou a considerar a ideia de unir ambos os países em uma federação, enterrada por sua derrota na tentativa de realizar uma reforma constitucional em 2007.

Após o golpe de 2002, Fidel Castro forneceu milhares de médicos, agrônomos, assessores militares e militantes a Chávez para montar as chamadas "missões" sociais que lhe permitiram fortalecer seu poder. Este, por sua vez, tornou-se "salvador" de uma Cuba frágil após a queda da União Soviética, com o fornecimento de petróleo e ajuda econômica. Fidel também supervisionou o tratamento médico de Chávez em Cuba.

Forte com seus petrodólares, Chávez criou iniciativas regionais como o grupo de integração econômica e coordenação política Aliança Bolivariana das Américas (ALBA), integrada por Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e ilhas caribenhas anglófonas, assim como o Petrocaribe, de subsídios petroleiros. Foi impulsionador de organismos de integração como a União Sul-Americana e teceu alianças com países como Rússia, China, Irã e a Líbia de Muamar Kadhafi.

"Ao longo de minha vida cometi o erro fundamental de descuidar da saúde", admitiu no fim de junho de 2012, quando informou em Havana que sofria de câncer. Filho de dois professores de educação primária e criado por sua avó materna, Chávez cresceu na localidade de Sabaneta, estado de Barinas, e foi criado por sua avó paterna. Casou e se divorciou duas vezes, tendo quatro filhos: Duas mulheres e um homem do primeiro casamento e uma menina do segundo.
Fonte: Correio do Povo
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=491374
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segunda-feira, 4 de março de 2013

Piso Nacional

As pessoas não compreendem porque tão grave e tanto movimento de educadores. É muito simples. 

A mais alta corte de justiça do país já disse que desde 2011, o piso nacional é obrigação do ente público e direito do trabalhador da educação.

Isso significa entre outras coisas, para que se entenda bem, que desde o reconhecimento do direito alguém está sendo lesado e, no caso, é o educador. Quando se propõe algo que é abaixo do piso, não é aumento, nem se quer é recomposição.

Pode ser, quando muito um encurtamento na distância entre aquilo que é obrigação de um e direito de outro. 

Existe no meio dos gestores públicos a idéia equivocada de que com grandes investimentos em estrutura física e tecnologia se fará a melhoria da qualidade de ensino. Isso mostra apenas que não conhecem a realidade do trabalhador, do assalariado. Claro que investimento nessas áreas contribuem.

No entanto, o que é decisivo é a satisfação e o comprometimento dos profissionais que começa pelo salário digno, pontual, hora atividade, incentivos para a formação continuada e quadro de carreira. Por analogia, imagine um time de futebol, desses que você torce e que assiste todos os jogos, conhece os jogadores e de repente começa a não produzir,a pesar de dedicarem em treinamentos, fazerem tudo certinho mas, o resultado não vem.

Em dado momento alguém procura saber o que está criando essa situação ruim e faz a grande descoberta que o “salário está atrasado” e que isso mexe com o dia-a-dia dos atletas, que possuem compromissos, tais como sustento da família, aluguéis, financiamentos, estudos, saúde, etc.

Quantas vezes, nas cidades brasileiras o salário esteve atrasado e é pago sem correções, enquanto o trabalhador vai ao comércio e paga com juros ou multas contratuais, quando não se perdem direitos. 

A situação do educador que não recebe o piso nacional e movimenta-se organizadamente para reivindicar é situação idêntica. 

Além de  todos esses compromissos, exige-se do educador a formação continuada, que precisa dispensar tempo, custa e nem sempre tem a garantia de ascensão graças ao quadro de carreira.

Quantas cidades que não pagam o piso e colocam na responsabilidade do educador a qualidade do ensino?

Tento imaginar quantas desculpas os gestores tem utilizado para negar o direito a uma remuneração justa.

Será que eles têm sido criativos ou repetem as velhas e superadas ladainhas que não tem recursos e que a folha de pagamento está comprometida.

E existem alguns ainda que pedem tempo como se os compromissos fossem adiáveis indefinidamente ou que a formação ou qualificação profissional para a qual precisa motivação pudesse também ser indefinidamente adiável, sem que atribuíssem ao educador a responsabilidade quando não se alcança os avanços desejáveis no processo educacional. Então, vamos fazer o seguinte: cumprir o piso e acompanhar anualmente o quanto a responsabilidade e a motivação dos educadores contribuirão para a melhoria do ensino. É pagar para ver.

Hilda Suzana Veiga Settineri
 
Fonte: Terra Brasilis
 
COMENTÁRIO DO BLOG 
 
Vamos repetir uma parte do Texto:
 
"Isso significa entre outras coisas, para que se entenda bem, que desde o reconhecimento do direito alguém está sendo lesado e, no caso, é o educador. Quando se propõe algo que é abaixo do piso, não é aumento, nem se quer é recomposição."
 
Por isso, não adianta o Governo alardear que está "destinando tantos por cento de aumento real ao magistério". A verdade é simples: O Governo Tarso não paga o Piso. NÃO CUMPRE A LEI!
O resto é conversa... 

 

domingo, 3 de março de 2013

'O Congresso funciona à base de pressão'

Prestes a completar 30 anos em 2013, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) foi criado justamente com o objetivo de atuar nos Poderes da República, em especial no Congresso Nacional, visando à transformação, em normas legais, das reivindicações predominantes, majoritárias e consensuais dos trabalhadores. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Portal da Contee, o presidente do Diap, Celso Napolitano*, com a colaboração do diretor de Documentação do departamento, Antonio Augusto de Queiroz, e de Marcos Verlaine, da equipe técnica do órgão, ressalta as principais lutas para este ano.

Contee: Com o começo da sessão legislativa de 2013 no Congresso, no início de fevereiro, quais são as prioridades de acompanhamento do Diap? 
 
Celso: Para efeito de acompanhamento, vamos dividir nossas prioridades em dois grupos: a) o grupo das oportunidades, e b) o grupo das ameaças. No primeiro grupo, vamos priorizar as proposições de interesse geral e específico dos trabalhadores e dos servidores públicos. De interesse geral, incluímos as proposições que tratam do fator previdenciário, da redução da jornada, do combate ao trabalho escravo, além do Plano Nacional de Educação. De interesse específico, as proposições sobre a regulamentação da convenção 151 da OIT, que disciplina a negociação coletiva no serviço público, a regulamentação da profissão de comerciário, e a extensão, aos trabalhadores domésticos, dos mesmos direitos assegurados aos demais trabalhadores.
 
No segundo grupo, vamos acompanhar e resistir à aprovação dos projetos que tentam reduzir direitos, como os que instituem o Simples Trabalhista, tentam acabar com o direito de recorrer à Justiça de quem não fizer a ressalva na rescisão do contrato de trabalho e os que flexibilizam a CLT. A regulamentação da terceirização tanto pode estar no primeiro quando no segundo grupo, dependendo do conteúdo. O texto em debate no Congresso está mais para o segundo grupo que para o primeiro.

Contee: Quais os principais projetos de interesse dos trabalhadores que devem ser votados em 2013 e qual a expectativa para essas votações? 
 
Celso: Acreditamos que, no mundo do trabalho, têm chances de votação o fim do fator ou o substitutivo que ameniza seus efeitos perversos e a regulamentação da convenção 151 da OIT, além da Proposta de Emenda que desapropria fazendas onde haja prática de trabalho escravo ou degradante e da PEC dos empregados domésticos. Ainda podemos contar também neste ano com a aprovação da MP 597/2012, que isenta de incidência de Imposto de Renda na participação nos lucros e resultados dos trabalhadores até R$ 6 mil. A proposta faz parte de um acordo entre as centrais sindicais de trabalhadores e o governo feito no ano passado que vai a votação em 2013. Depende de negociação e muita pressão a redução da jornada e a proibição da demissão imotivada, de que trata a convenção 158 da OIT. Fora da agenda trabalhista, o PNE certamente será votado e sancionado em 2013.

Contee: E no caso específico dos  projetos de interesse dos trabalhadores em educação? 
 
Celso: Além do PNE aprovado na Câmara e em debate no Senado, os trabalhadores em educação também devem ficar atentos a temas como a criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes), que tramita no Congresso. A matéria de autoria do Ministério da Educação está em debate na Câmara dos Deputados. Outra proposição é a que estabelece um número máximo de alunos por turma na pré-escola e no ensino fundamental e médio. Este já foi aprovado no Senado e aguarda votação na Câmara.
 
O Congresso debate ainda projeto que altera o Art. 318 da CLT, cuja proposta pretende flexibilizar a jornada do professor em um mesmo estabelecimento. É preciso que as entidades se manifestem em relação ao tema.

Contee: Como o senhor avalia que deva ser a ação das entidades e dos movimentos sindicais e sociais em relação a essas propostas? De que modo os trabalhadores podem ser ouvidos? 
 
Celso: Em primeiro lugar deve haver um acompanhamento permanente e sistemático por parte das entidades junto ao Congresso. No caso do movimento sindical, é fundamental a filiação ao Diap para que as entidades recebam informações sobre os projetos, seus desdobramentos e recomendações sobre como atuar junto ao Congresso.
 
Em segundo, deve haver uma pauta unificada de cada movimento ou entidade em relação aos seus interesses. E, em terceiro, deve haver um esforço das entidades nacionais no sentido de promover visitas ao Congresso para audiência e contato com os parlamentares com vínculos com os setores que as entidades e movimentos representam.
 
Sem a combinação dessas duas ações - pressão e clareza sobre o que deseja aprovar ou rejeitar - o risco de surpresa desagradável é muito grande. O Congresso funciona à base de pressão. A omissão ou indiferença em relação ao Congresso facilita a vida dos adversários dos movimentos e entidades, que estarão atuando para fazer valer os interesses deles.

* Celso Napolitano é professor da FGV-SP, presidente do Diap e da Fepesp

Entrevista publicada em 19/02 na página da Contee 
Celso Napolitano
Celso Napolitano

Fonte FEPESP

sábado, 2 de março de 2013

STF ALIVIA CAIXA DOS ESTADOS NO PAGAMENTO A PROFESSORES

O STF (Supremo Tribunal Federal) liberou os Estados por dois anos e seis meses do pagamento do piso nacional dos professores da rede pública.

O piso foi instituído, em 2008, pela Lei nº 11.738. Na época, ele era de R$ 950,00. Vários Estados recorreram ao STF contra o piso, pois ele aumentou os seus custos com o pagamento de vencimentos básicos aos professores. Inicialmente, o piso foi suspenso por força de liminar, em dezembro de 2008. Em 27 de abril de 2011, o tribunal declarou que o piso é constitucional. Na ocasião desse último julgamento, ele já estava em R$ 1.187.


Hoje, o piso está em R$ 1.567. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, levou, na sessão desta quarta-feira, recursos dos governos do Rio Grande do Sul, do Ceará e de Santa Catarina contra o piso. Eles alegaram dificuldades no caixa para pagar os professores e pediram um prazo maior para fazer a quitação, que seria de 18 meses. Apenas no caso do Rio Grande do Sul, o pagamento do piso seria superior a R$ 3 bilhões em apenas um ano.

Barbosa não aceitou o recurso dos Estados. "O pedido tem o nítido objetivo de deslocar uma discussão de âmbito legislativo para a esfera do Judiciário. Se for necessário reforço financeiro ou dilação do prazo, essa discussão deve ser feita pelos chefes do executivo dos Estados junto ao Legislativo", justificou o ministro. "O STF não será o foro competente para resolver essa tensão imanente de um debate entre os entes federativos", completou Barbosa.

Mas, após o seu voto, o ministro Teori Zavascki propôs que o STF retirasse a obrigatoriedade do piso no prazo que vai entre a liminar que suspendeu o pagamento do piso (dezembro de 2008) e a decisão do STF que considerou o piso constitucional (abril de 2011). A proposta de Zavascki teve o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

"Eu entendo também, assim como o ministro Teori, que apenas a partir do momento do julgamento é que as fazendas públicas puderam se programar efetivamente no que tange aos desembolsos necessários face a essa decisão do STF", argumentou Lewandowski, referindo-se à decisão de abril de 2011.

Vencido na decisão, Barbosa advertiu para o risco de os Estados não cumprirem a lei. "Esse processo foi julgado faz três anos. Visivelmente, esses poucos estados não querem cumprir essa lei. Eles ingressam com esses embargos, daqui a pouco viram novos embargos", protestou o presidente.

Em seguida, Mendes afirmou que os Estados têm que pagar o piso nacional a partir de 27 de abril de 2011 e, portanto, devem cumprir a lei a partir daquela data.

Com isso, a decisão foi proclamada e os Estados conseguiram apenas um prazo - entre dezembro de 2008 e abril de 2011 - para não pagar o piso nacional.

SECOM / CPP
Fonte: UOL Educação


Comentário


Enquanto o STF alivia caixa dos Estados, os educadores continuam a viver de migalhas... 

Ah! Não esqueçam: Educação é prioridade!